Paulo Bragança

Paulo Bragança

Começou a sua carreira em 1986, gravando o seu 1º álbum em 1992 ” Notas sobre a Alma “. David Byrne  líder dos Talking Heads, impulsionou-o para uma carreira internacional invejável. Apelidado pela imprensa internacional de Fadista Punk ou atípico entre tantos outros substantivos, Paulo Bragança quando se auto-exilou viveu em absoluta e austera reclusão durante 4 anos. Pensar o pensamento era a rotina exaustiva diária desses tempos. Actualmente, PB vive em estado de graça.

Fevereiro de 2006 partida de Portugal para um exílio intelectual e artístico para parte incerta, instalando-se em Londres que lhe serviu de base, enquanto deambulava por Bucareste, Praga, Istambul, Paris e Amsterdão numa busca incessante de de sentir em casa. Em vão. Tudo lhe era estranho e a Saudade fez dele um acólito em profunda inquietação. Voltava frequentemente a Londres em perpétua desilusão. Numa escura e desoladora  manhã de Natal, num rasgo de degredado in extremis, decide abandonar Londres para sempre e chega á Irlanda pelas fatídicas águas do mar irlandês. Dublin e SUA frondosa baía acolheram-no. Era o dia de Santo Estevão do ano de 2006.

Em Dublin encontrou um espírito musical latente, permanente e honestamente criativo que lhe aguçou a curiosidade. A literatura é a prima Poesia andavam de mãos dadas como namorados cegamente apaixonados. Aí fés cinema, algumas peças de teatro, nomeadamente MEDEIA, aprendeu outros ofícios, pois até ali nunca tinha trabalhado, das 9 às 5,  por assim dizer. Por entre cardos com muitos espinhos, pão com soluços ( e sem soluços mas com nada ) , experiências trágicas e outras bem divertidas ( ainda viveu em reclusão profunda num castelo com 900 anos – onde sua única visita foi sua avó que foi á sua procura – o castelo onde viveu perto de 2 anos, era de uns amigos que lá conheceu por puro acaso e os quais lhe pediram para lá ficar pois eles regressavam á Nova Zelândia onde viviam desde sempre ) os dias iam passando e o seu sangue esverdeava, cor massiva da paisagem daquele país de bardos e elmos e gnomos e toda uma cultura rica de estórias e emoções as quais eram o seu sustento por excelência.

2010 volta á Universidade e estuda Filosofia e Estudos Irlandeses. A vida académica dum rigor anglo-saxónico encantou-o. Além de estudar, criou num bar que frequentava uma espécie de eventos informais da pintura, á fotografia com exposições regulares e saraus de poesia, concertos de música de diferentes inspirações e assim conheceu artistas, curiosos e anônimos de muitas nacionalidades. Dublin fervilha com uma incesssante actividade ora artística, ora civil e as suas gentes estão sempre na rua faça sol (pouquíssimo), chuva, vento ou neve.

Depois de 6 anos sem ter qualquer contacto com Portugal, vem de visita e encontra-se com Carlos Maria Trindade, seu editor e amigo de sempre e começam a trabalhar juntos num novo álbum o qual verá a luz do dia em finais de Setembro de 2017.  Foi após esses 6 anos que regressando aos palcos fez um concerto na Casa do Alentejo, na Casa Fernando Pessoa, no castelo de São Jorge como convidado d’A Naifa e no Museu do Fado por ocasião da comemoração do 1º aniversário da elevação do Fado Património da Humanidade.

Ainda este ano terá alguns concertos ( não posso divulgar por motivos éticos profissionais ) antes do lançamento do seu novo trabalho.
Tem frequentado vários sítios onde o Fado em Lisboa acontece e todos mas todos os seus pares o têm muito bem saudado e recebido com reverência,  o que PB muito e tanto agradece e retribui. Vive-se um espírito de fraternidade muito lindo e genuíno.